Vazamento de gás em Manaus: bombeiros seguem resfriando tanques 24 horas após o incidente
Imagem aérea registra vapores de gás estireno durante resfriamento nesta quinta (16) Mais de 24 horas após o início do vazamento de estireno, substância in...
Imagem aérea registra vapores de gás estireno durante resfriamento nesta quinta (16) Mais de 24 horas após o início do vazamento de estireno, substância inflamável e tóxica, em uma fábrica do Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continuam atuando no resfriamento dos tanques nesta quinta-feira (16). Segundo os bombeiros, ainda há liberação de vapores do produto químico, em menor intensidade do que a registrada na quarta (15), durante o processo de controle da temperatura dos tanques. 🔎 O estireno é um produto químico usado na fabricação de plásticos e borrachas. A substância pode evaporar quando aquecida e formar vapores com odor forte. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náusea. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), foram realizados 149 atendimentos na rede pública de saúde relacionados à ocorrência até às 17h de quinta-feira. Desse total, 140 pacientes receberam alta e nove seguem internados. Os atendidos apresentavam sintomas como falta de ar, tontura, náusea e desmaio. Não há informações sobre o estado de saúde dos pacientes internados. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O incidente ocorreu por volta das 17h20 de quarta-feira (15), em um dos três tanques de monômero de estireno da empresa Innova. Segundo a companhia, o produto sofreu uma elevação anormal de temperatura, o que provocou a liberação de vapores por meio dos dispositivos de segurança do equipamento. Vídeos gravados por trabalhadores logo após o início do vazamento e que circulam nas redes sociais mostraram a gravidade da situação. Nas imagens, é possível ver uma densa nuvem de fumaça branca saindo da área dos tanques e se espalhando rapidamente pelo pátio da empresa. A intensidade do vapor assustou os funcionários que estavam no local e em fábricas vizinhas. (veja abaixo). Vídeos mostram momento de vazamento de monômero de estireno em Manaus Entenda por que ainda há liberação de vapores O estireno continua passando por um processo de mudança provocado pela variação de temperatura. Durante o resfriamento dos tanques, a água lançada pelas equipes ajuda a controlar a temperatura do produto, que pode passar por processos de evaporação e solidificação. Por isso, mesmo após o controle inicial da ocorrência, pode haver liberação de vapores em menor quantidade. A situação segue sendo monitorada pelos bombeiros para evitar aumento da temperatura dos reservatórios e novos riscos. Vazamento de gás em Manaus faz escolas, PAC e empresas do Distrito Industrial suspenderem atividades Manaus entra em estado de alerta após vazamento de gás estireno no Distrito Industrial, diz prefeito Vazamento de gás é registrado em empresa do Distrito Industrial em Manaus Área isolada e investigação Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16), o comandante-geral do órgão, coronel Muniz, informou que a área isolada após a ocorrência compreende um raio de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu o vazamento. Segundo ele, a empresa localizada ao lado da Innova foi evacuada e o isolamento permanece mantido. Apenas equipes envolvidas na resposta à ocorrência, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Defesa Civil e órgãos de saúde, seguem com acesso ao local. O comandante também informou que será realizada uma perícia para apurar as causas do incidente. Sobre o que provocou o superaquecimento do produto, Muniz afirmou que a principal hipótese é uma reação espontânea no interior do tanque. "Tudo caminha para uma reação espontânea no interior do tanque. Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto", explicou. Segundo o comandante, caso as válvulas de segurança não fossem acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio. "No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão no interior do reservatório", afirmou. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre eventual responsabilização da empresa pelo incidente. Bombeiros seguem fazendo o trabalho de rescaldo no local Jucélio Paiva/Rede Amazônica Empresa diz que situação foi controlada Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado. A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas. "A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia", informou a empresa. A Innova também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Em nota, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a ocorrência e solicitou informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas pela empresa. O órgão ressaltou que a operação segura das instalações é responsabilidade da companhia e que a apuração das causas e dos impactos ambientais, sanitários e à saúde dos trabalhadores será realizada pelos órgãos competentes. A autarquia também manifestou solidariedade às pessoas afetadas pelo incidente. O g1 também procurou o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) para saber se houve orientação às empresas do entorno sobre a liberação de funcionários após o incidente, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Orientações de saúde A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou ao g1 que o estireno evapora com facilidade quando aquecido. "Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95". A Defesa Civil orienta que a população permaneça em locais abertos e bem ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação. A SES-AM recomenda que pessoas expostas ao produto procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência. INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. g1